Teatro, uma arte um
espaço.
Quero falar
hoje sobre teatro, mas não tenho a pretensão de contar aqui a história do
teatro, pois existem ótimos autores que produziram livros com este conteúdo de
forma bem completa e totalmente confiável. Quero falar sobre alguns detalhes
que definem essa arte e acredito ser fundamental que os conheçamos para termos
uma formação de qualidade e consistência, e dessa forma não nos tornemos
artistas medíocres e incultos em relação à arte que vivenciamos. Assim conhecer
as origens dessa arte e o significado de seus termos técnicos e suas definições
é questão obrigatória.
Para começar
escolhi a palavra “TEATRO”. Alias, seria improvável começar com alguma outra,
pois creio ser fundamental a compreensão da palavra que ao mesmo tempo dá nome
a essa arte e ao espaço onde ela acontece. Outras artes separam com facilidade o
nome que as identificam de sua área de criação e desenvolvimento. Por exemplo: Dança/Teatro,
Artes Plásticas/Ateliê/Exposição, Música/Estúdio/Teatro e assim poderia
continuar a nomina-las sem que houvesse semelhança como é o caso do teatro que
acontece no teatro. Sempre quis saber por que isso aconteceu e como foi que
ficou tão igual assim. Foi só recorrendo a Etimologia, que é a ciência que
estuda a origem das palavras, que pude encontrar a respostas. Vejam:
Segundo a
Enciclopédia Britânica, a palavra teatro deriva do grego theaomai (θεάομαι) que significa olhar com atenção, perceber, contemplar (1990, vol.
28:515). Theaomai não significa ver no sentido comum, mas sim ter uma
experiência intensa, envolvente, meditativa, inquiridora, a fim de descobrir o
significado mais profundo; uma cuidadosa e deliberada visão que interpreta seu
objeto (Theological Dictionary of the New Testament vol.5:pg.315,706)
O
vocábulo grego Théatron (θέατρον) estabelece
o lugar físico do espectador, "lugar onde se vai para ver" e onde,
simultaneamente, acontece o drama como seu complemento visto, real e
imaginário. Assim, o representado no palco é imaginado de outras formas pela
plateia. Toda reflexão que tenha o drama como objeto precisa se apoiar numa tríade teatral: quem
vê, o que se vê, e o imaginado. “O teatro é um fenômeno que existe nos
espaços do presente e do imaginário, nos tempos individuais e coletivos que
se formam neste espaço” ("O Espetáculo do Melodrama").
|
O teatro,
mais do que ser um local público onde se vê, é o lugar condensado da vivência
das ambiguidades e paradoxos, onde as coisas são tomadas em mais de uma forma ou
sentido. Robson Camargo assim o define (2005:1):
Podemos notar que em sua origem grega o teatro está
muito bem separado, como arte e como espaço físico. Constatamos então, que foi
no curso da história, principalmente na história da língua portuguesa, que essa
mistura se deu. Na Espanha, por exemplo, não existe faculdade de teatro e sim
faculdade de artes dramáticas, em Inglês o espaço físico se chama theater e
para a arte diz-se dramatics.
Sei que estas
explicações e detalhamentos não irão mudar em nada nas pessoas comuns sua
expressão falada ou escrita, por ser uma forma de entendimento sobre o assunto
já consagrado até nos meios acadêmicos. Mas espero que de alguma forma isso
possa fazer diferença para as pessoas que vivenciam o teatro, espero que ao
conhecer essas definições possam enriquecer-se culturalmente e sabendo
diferenciar “uma coisa da outra” também possam alcançar melhor qualidade em seu
trabalho, haja vista que o ator vive de interpretar, posso afirmar por
experiência que tem a melhor interpretação aquele que detêm maior conhecimento
sobre o tema a ser interpretado.
Então peço a
diretores, atores/atrizes e etc., profissionais ou amadores, que busquem “o prazer do saber sobre sua arte”, que
propaguem estes saberes em suas conversas diárias, no exercício de sua arte
como profissão e na busca da excelência em todos os palcos.
Reafirmo aqui
a necessidade de estudar teatro, seja na faculdade, em cursos livres, oficinas
ou de forma teórica na leitura diária de bons livros e bons artigos.
Diga sempre,
“eu estudo teatro, faço aulas de teatro (theaomai)” e colabore com o processo
já em andamento de “dignificação” de nossa arte.
Nenhum comentário:
Postar um comentário